segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Qual é o seu preço?
Por que, por quanto ou por quem você tem negociado seus valores?
Mc 14, 10-11;44-46

1.     Por que?
Judas esperava que Jesus fizesse uma revolução armada. E que por meio de seus poderes sobrenaturais elevasse Israel à condição superpotência mundial. Possivelmente ele pertencia a um braço radical dos zelotes chamado de sicários. Esses extremistas andavam com pequenos punhais com os quais atacavam os romanos na Palestina. Se isso for verdade uma possível transliteração do seu nome em hebraico é ish sicari, homem do punhal.
Ele provavelmente esperava ter uma posição de destaque nesse novo governo (status) e prosperidade econômica. Nada muito diferente do que muitos cristãos esperam quando supostamente aceitam o evangelho.
Judas tinha uma compreensão equivocada a respeito de Jesus e sua missão. Uma compreensão equivocada gera falsas expectativas, frustração e ansiedade.

2.     Por quanto?
Trinta moedas de prata.
Repare que o estopim para a traição de Judas foi um frasco de perfume. Uma futilidade. E que o que ele faz com o dinheiro que recebe é comprar um terreno. Será que muitas vezes nossa birra com Deus não tem sido motivada também por coisas?
Prosperidade financeira, a resolução fácil e imediata de todos os seus problemas Sem esforço ou compromisso pessoal?
Sob que perspectiva você tem se relacionado com Jesus? Que tipo de interesses você tem nele? Que ele promova uma revolução na sua vida? De que tipo?
Particularmente acredito que a maioria de nós não chegaria a tanto. Acho que a maioria de nós temos pequenos e mesquinhos interesses em Jesus. Namoro, casamento, emprego, sucesso profissional, acadêmico, pequenas e determinadas situações que geralmente giram em torno do meu umbigo etc. São coisas muito mais triviais do que profundas.
Como disse penso que isso aconteça porque perspectivas equivocadas geram falsas expectativas, frustração e ansiedade.
Uma fé baseada em homens (pastores, bispos, apóstolos, na irmanzinha do coque) ou palavras de homens e não em Deus e em sua Palavra é uma fé sem relacionamento, sem intimidade e sem conhecimento. Conheço um bom número de pessoas que chegam à igreja se dizendo frustradas, ou decepcionadas com Deus, mas que muitas vezes me vejo forçado a pensar que se decepcionaram sozinhas, porque por suas palavras percebo que não conheceram a Deus conheceram deus sob a perspectiva de fulano.

Nos tornamos ansiosos...

3.     Por quem?
Medo de rejeição, vergonha. Talvez esse seja o seu preço. Ou melhor o preço de Jesus para você. Talvez seja mais importante fazer parte do grupo A ou B do que relacionar-se com Jesus, do que ser amigo de Deus. A primeira vista isso soa tao adolescente, né? Medo de rejeição, vergonha de se assumir..., mas eu tenho percebido que a medida que envelhecemos outros medos e vergonhas também nos levam a negociar nossos valores. Medo de ser considerado menos capaz ou inteligente. Quantas vezes no ambiente acadêmico tive e, às vezes, ainda tenho receio de falar abertamente sobre Jesus. Medo de me posicionar no meio do grupo do trabalho sobre homossexualidade, adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, decisões do STF quanto ao conceito de família, e ser tachado de retrógado, bitolado, fundamentalista.

Por um beijo. Por uma noite, às vezes. Na verdade Judas entrega/trai Jesus com um beijo. Quanto não deve ter doido em nosso Senhor receber um beijo de seu traidor. Falsidade, dissimulação, hipocrisia.
Quanto não nos dói ouvir uma palavra maldita, nefasta de uma pessoa a quem amamos, com quem diariamente nos relacionamos.

Quanto não deve doer em Deus olhar para nós domingo após domingo declarando amor e devoção eterna a ele com tanta coisa vergonhosa que insistimos em cativar em nossos corações e manter em nossas vidas.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Na direção certa.


Muito bem, talvez o que eu venha a te falar agora, não seja para hoje, seja para amanhã, e eu tenho certeza de que é algo de que depende o seu sucesso em 2014. O título de nossa reflexão é... e o texto...

Trata-se do relato de Jesus andando sobre as águas. Porém, a narrativa de João, assim como a de Marcos não menciona o pedido de Pedro para ir ter com Jesus. E foi, possivelmente, essa ausência que me permitiu perceber algumas coisas que eu gostaria de compartilhar com você.

Antes deixe-me lembra-lo rapidamente do contexto no qual esta perícope foi inserida. Jesus tinha acabado de alimentar uma multidão de 5 mil homens utilizando 5 pães e 2 peixinhos, em Betsaida, segundo Lucas, e eles, convenientemente queriam torna-lo rei, afinal alguém que cura doenças e mata a minha fome pode reinar sobre mim.

Vamos então ao texto.

Ao anoitecer seus discípulos desceram para o mar, entraram num barco e começaram a travessia para Cafarnaum.João 6:16-17
Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha ido até onde eles estavam.
João 6:17
Soprava um vento forte, e as águas estavam agitadas.João 6:18-19
Depois de terem remado cerca de cinco ou seis quilômetros, viram Jesus aproximando-se do barco, andando sobre o mar, e ficaram aterrorizados.João 6:19
Mas ele lhes disse: "Sou eu! Não tenham medo! "
João 6:20
Então se animaram a recebê-lo no barco, e logo chegaram à praia para a qual se dirigiam.João 6:21


1. TOME A DIREÇÃO CERTA.

Os discípulos haviam tomado a direção certa. Não sei se conversaram com Jesus sobre isso em algum momento…, o texto não menciona nada a esse respeito. Ao cair da tarde desceram para o mar, entraram no barco e foram em direção a Cafarnaum.

O ano já começou e, talvez, como os discípulos que se dirigiram para Cafarnaum, você já tenha estabelecido suas metas para 2014, traçado seus objetivos para o ano novo. Posturas que deseja mudar, atitudes que deseja rever, amizades que precisa abandonar, cursos que precisa fazer, comprar uma casa, ou mudar de casa, arrumar ou mudar de emprego, palavras que precisa excluir do vocabulário, enfim. Você já está no barco e ele já está movimento. Possivelmente suas decisões foram acertadas, provavelmente você está no rumo certo, como os discípulos estavam.

2. OBSERVE SUAS COMPANHIAS.

Jesus não estava no barco.
Em algum momento ao anoitecer os discípulos se deram conta que Jesus não estava no barquinho. Suponho que Jesus os havia deixado pouco depois da hora do almoço, retirando-se estrategicamente para o monte, fugindo daqueles que queriam nomea-lo rei.
Acho curioso que a ausência de Jesus tenha sido notada no escuro. Geralmente ausências são notadas à luz do dia, quando é mais difícil se esconder.

Em algum momento este ano, ao escurecer, você, como os discípulos, talvez tenha se dado ou se dará conta de que planejou e está executando os seus planos sem Jesus. Quem sabe as coisas não estejam fluindo ou venham a fluir com a facilidade com que você imaginou. Mudar é geralmente bem difícil, abandonar velhos hábitos é trabalhoso, lutar contra o pecado nos leva, rapidamente, à exaustão. Aquilo que em sua mente estava tão claro e parecia tão possível, tão real, ao anoitecer se transformou em quimera. E é nesse tipo de escuridão que se nota a presença ou, no caso, a ausência de Jesus.

3. PREPARE-SE PARA AS DIFICULDADES.

Soprava um vento forte, as águas estavam agitadas.
Imagino que nessa hora falta de Jesus tenha começado a se materializar em incertezas, dúvidas e medo. Onde está o Mestre? Será que fizemos a coisa certa pegando o barco e indo para Cafarnaum? Não devíamos ter esperado por ele?

Quando o vento sopra forte e as águas ficam agitadas, quando se faz o silêncio é que a ausência de Jesus se personifica em incertezas com relação a nossas escolhas, em dúvidas a respeito de nossas verdadeiras intenções e medo de estar errado, ou que algo dê errado.

4. LANCE FORA TODO O MEDO.

Os dicípulos remaram pouco, 5 ou 6 quilômetros, provavelmente e com muita dificuldade.
As entrelinhas do texto nos permitem supor que já estavam bastante apreensivos, irrequietos. Afinal perceber no mar agitado e à luz da lua a aproximação de alguma coisa só é possível se se estiver bem desperto.

Nos tornamos atentos por medo, não por escolha. Ficamos preocupados e essa preocupação nos leva à ansiedade, ao pânico, terror. Não é preciso estar muito longe para que isso nos aconteça, como eu disse os discípulos haviam remado apenas 5 ou 6 quilômetros de um trajeto de 15. É justamente em começar, que a maioria das pessoas tem dificuldade.

Vencer a inércia e por-se em movimento é geralmente a parte mais difícil do caminho. Vencer o atrito consigo mesmo, com seus próprios dilemas, mas também com outras pessoas, com o ambiente que nos envolve é muito complicado. Já estamos habituados a ele, parece-nos mais natural permanecer ali do que mover-se. Mas fomos criados para a movimento,

Deus não investiu tudo em nós, nos fez novas criaturas para que nos guardemos do mundo em nossas casas. Todavia geralmente somos  nova criatura em velhos lugares, com velhos hábitos, andando com velhas pessoas. Quando olho para mim mesmo nessa situação vejo que isso acontece por um motivo: me amo demais e amo a minha imagem refletida no espelho, pro isso me poupo do incômodo com qualquer coisa que me desgaste. É uma nova criatura, no meu caso, do ano de 1981, em 2014. Entende o que quero dizer?

É como um carro velho, com 10km rodados. Por mais inteiro e bonito que seja ele não combina com o mundo de hoje. Tive a cuiriosidade de pesquisar quais os carros lançados no ano do meu nascimento e vi o DeLorean DMC-12, o carro do “De volta para o futuro" (quem não assistiu esse filme?), mas se esse carro rodasse em nossas ruas hoje todos saberiamos que representa o passado!!!

Me parece ser o caso de muitos cristãos e, consequentemente, de muitas igrejas de hoje, a cara do passado, de um tempo que já não existe, que já não faz mais sentido no século XXI. E ficamos nos perguntando por que as igrejas estão vazias!? Elas não conversam com seu tempo, com suas pessoas. Peter Berger fala com muita propriedade sobre isso em seu livro o Dossel Sagrado, onde diz que toda mudança de cultura exige antes a interiorização de modelos, que dialoguem, que digam alguma coisa aos indivíduos, sem isso eles nunca serão assimilados. Ou, como diria Jung, arquetipos do passado falam com o passado.

Não devemos nos preocupar em rodar pouco, ou em não rodar, em mudar pouco, em ousar pouco, em experimentar pouco enquantonovas criaturas, foi para isso que Deus nos fez novos. No nosso caso quanto mais nos mexermos, quanto mais nos atrevermos a sermos como Cristo e irmos adiante, mais atuais seremos, porque seremos renovados pelo Espírito de Deus. O novo sempre novo! Uma igreja antiga, sempre nova! Um cristianismo sempre atual! Uma mensagem sempre contextualizada, atraente, instigante! Homens e mulheres com uma fé viva, que não vivem de milagres do passado, mas são testemunhas do que Deus pode fazer hoje!! PORQUE É A VONTADE DE DEUS QUE caminhemos EM DIREÇÃO AO FUTURO.

5. NÃO SE APRESSE EM JULGAR.

Jesus foi ao encontro deles.
Era Jesus, mas eles não o reconheceram. Diz o texto que ficaram aterrorizados ao verem aquela cena. Consigo entender isso por tratarem-se de homens. Certeza que um querendo ser mais machão e corajoso do que o outro estavam se esforçando para fingir bem, mas ao verem aquele vulto vindo em direção a eles, andando sobre as águas quem se escondeu se escondeu, quem gritou, gritou, quem começou a orar, orou e quem se… é o que imagino.
Eles vêem Jesus, mas essa visão lhes traz terror.

Nesse estado de excitação os julgamentos tendem a ser precipitados. É preciso ter cuidado, podemos ficar aterrorizados com a benção e dar glória a Deus pela maldição. Nossas avaliações estão prejudicadas, nossas emoções estão à flor da pele. Retroceder, nessas horas, parece o melhor a ser feito!!! São tantas as dificuldades que Deus não pode estar nisso, pensamos. Mas como eu disse eles estavam no caminho certo, só haviam se esquecido, em algum momento, que Jesus não estava no barco, e isso faz toda a diferença! Estavam remando sozinhos, de acordo as possibilidades de suas forças e das condições do mar. Estavam por sua conta.

Preciso demistificar uma coisa. Já ouvi algumas pessoas dizerem que Deus as atrapalhou em um projeto, porque não estavam fazendo a vontade dele. Acho isso um pouco estranho, possível, mas um pouco estranho, o contrário me parece mais provável. Desde quando precisamos de ajuda para nos atrapalharmos com alguma coisa?! Nos atrapalhamos mais sozinhos do que acompanhados. Quando agimos por nossa conta, com alguma frequência, não nos damos bem, aí culpamos a Deus pelo nosso insucesso. Mas se eu tive a ideia, planejei e executei, tudo sozinho e deu tudo errado, COMO A CULPA PODE SER DE DEUS? Ora, assuma as responsabilidades pelas suas escolhas (cabra sem vergonha!).

Voltando ao texto lá vem Jesus andando sobre as águas, aquilo que era uma benção foi motivo de espanto e terror. A vontade de Deus nem sempre se nos apresentará da forma como esperamos, desejamos ou sonhamos. Jesus entrou em Jerusalém de jegue, quando o povo provavelmente o esperava de Mercedes. Precisamos de muita sabedoria para reconhecer a vontade de Deus em nossas vidas e nos mantermos firmes nesse propósito quando as tentações e as dificuldades do caminho chegarem. O impulso de jogar tudo para cima e chamar a benção de maldição e a maldição de benção será forte. Mas a palavra diz: Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Tiago 4:7

Então como discernir a benção da maldição pastor? Tudo aquilo, mesmo a dor ou o sofrimento que te aproxima de Deus é benção e tudo aquilo que te afasta de Deus e dos seus planos para a sua vida é maldição.

Possivelmente a visão do horizonte que se desnuda à frente de alguns aqui nessa manhã os atemorize. Vejo coisas estranhas, pessoas que não reconheço, uma igreja nova, muito moderna, com uns pastorzinhos diferentes, não se desvie do lugar e dos propósitos que Deus colocou em seu coração.

6. RECEBA JESUS EM SEU CORAÇÃO.

Depois que Jesus se identificou eles se animaram a recebe-lo no barco e logo chegaram à praia para a qual se dirigiam.
Depois daquele "Deus nos acuda” Jesus se identifica e sobe no barco. Toda ansiedade, dúvida, incerteza e medo se transforma em alegria. O ambiente se torna leve. Penso que foram o resto do caminho rindo um do outro, mais ou menos assim - "André pulou no colo de Pedro, Tiago se escondeu atrás de João”, etc. E diz o texto que logo chegaram ao seu destino.

Essa é a diferença que Jesus pode fazer na sua e na minha vida. Ele não precisa nos atrapalhar, já nos atrapalhamos o suficiente sozinhos. Mas quando ele entra no barco o clima fica leve, o vento mais pesado se transforma em brisa, a noite mais escura faz-se dia. O tempo passa rápido de tão gostoso que é desfrutar da companhia de Jesus.

O ano mau começou, você já colocou o barco na direção certa, e tomou as decisões corretas, decidiu abandonar posturas, pensamentos, atitudes do passado e deu algumas remadas. Mas, talvez você não tenha convidado Jesus para entrar no seu barco e já esteja ou venha a passar por alguma tempestade durante a viagem. Não desista, mas também não espere o barco ir a pique para convidar Jesus para dentro dele!

7. PREPARE-SE PARA VELHOS ENCONTROS.

No dia seguinte, a multidão que tinha ficado no outro lado do mar percebeu que apenas um barco estivera ali, e que Jesus não havia entrado nele com os seus discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos.
Então alguns barcos de Tiberíades aproximaram-se do lugar onde o povo tinha comido o pão após o Senhor ter dado graças. Quando a multidão percebeu que nem Jesus nem os discípulos estavam ali, entrou nos barcos e foi para Cafarnaum em busca de Jesus. Quando o encontraram do outro lado do mar, perguntaram-lhe: "Mestre, quando chegaste aqui? " Jesus respondeu: "A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. João 6:22-26

Quando perceberam que Jesus não entrara no barco as multidões foram ao último lugar onde ele estivera. Pessoas e situações do passado vão nos procurar em lugares antigos, em lugares em que costumávamos estar é preciso estar pronto para esses encontros.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Império dos Sentidos



O que impera sobre seus sentidos?

Como estão os seus olhos?
Um dia desses, à noite, estava lendo, despretensiosamente, Mt 6,22 e, casualmente, comecei a refletir sobre os meus olhos, não sob o ponto de vista do que vejo e sim sob a perspectiva com que vejo e percebi que estou vendo mal.
Qdo nos falam sobre os olhos geralmente nos chamam a atenção para o que vemos e nos advertem sobre aquilo que não devemos enxergar. Não me parece ser o que Jesus fez, não mais. Jesus nao nos chama a atenção para o que vemos, isto é, essa não é sua preocupação central. É impossível controlar o tempo inteiro o que entra por essas "janelas da alma". A questão é a alma! E não o mundo. A alma reflete a disposição do nosso coração, refletida ou irrefletidamente. É ela, ou melhor, somos nós quem direcionamos nossos olhos. E se o que há em nós for mau, forem trevas, todo mundo será escuridão: nossos relacionamentos, nossa casa, nossa profissão. Logo pensei... da próxima vez que eu olhar para o mundo e enxergar escuridão, vou olhar para mim mesmo e ver o que há em minha alma. Ledo engano... na manhã seguinte tudo estava um breu, olhei para a minha alma e se quer a consegui achar. Normalmente, esse tipo de mudança não acontece da noite para o dia. A maneira como enxergamos as coisas é, também, fruto de um comportamento aprendido, assimilado ao longo dos anos de nossa existência. Para enxergar na escuridão que, muitas vezes, existe dentro de nós é preciso de luz, mas ela não se encontra em nós mesmos.  É preciso que alguém lance luz sobre a nossa existência. Para mudar a realidade que nos rodeia é preciso antes mudar nossa alma, nós mesmos precisamos ser mudados, curados. Só assim um mundo novo e melhor poderá existir! Quando o que houver em nós nao forem trevas, mas luz, o mundo inteiro será iluminado. Nossa perspectiva sobre o que vemos imediatamente se transformará. Jesus é a luz do mundo! Que essa luz transforme a nossa visão e domine sobre todos os nossos sentidos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Como sombras de nós mesmos



Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alquire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. (Mt 5,13-16).

Apesar de pequeno, este recorte nos faz perceber bem o 'tom' do Sermão do Monte. E, com fins meramente ilustrativos, acho válido estabelecermos um paralelo entre este texto e aquilo que seria uma releitura do Mito da Caverna de Platão. Relendo a alegoria de Platão... era uma vez uma caverna. Uma caverna grande e escura. Dentro dela viviam homens e mulheres, adultos e crianças. Todos tinham suas tarefas na caverna. Atividades pesadas e pensadas que consumiam todo tempo entre o acordar e dormir daquelas pessoas, exceto por um momento. Um breve momento, quando a caverna era invadida pela luz e tudo dentro dela ficava muito claro. Naqueles instantes alguns fechavam os olhos, outros procuravam orientar suas ações, percebendo a correção ou o erro do que faziam, para muitos era o momento de olhar para quem estava ao seu redor, ou ainda de olhar para si mesmos, através de suas sombras projetadas nas paredes da caverna. Quando a luz se esvaia todos eram novamente envolvidos pela escuridão, era hora de dormir... O brilho da luz incomodava muito, outras vezes, revelava algo com que valia a pena sonhar. Como aquelas pessoas foram parar ali? Diz a estória que, em tempos imemoriáveis, homens e mulheres  foram atraidos e aprisionados naquele lugar ao perceberem suas propriedades mágicas - a caverna permite enxergar apenas aquilo que se quer ver.
1.
A partir desta leitura, muito particular, do mito da Caverna, percebo que é possível que estejamos a viver como sombras de nós mesmos. Dentro de cavernas. Definidos e consumidos pelas pesadas atividades que desenvolvemos todos os dias entre o acordar e o dormir. Atividades que não nos permitem respirar ou suspirar. Quem pensou para nós essa vida, essas atividades? Quem nos embuiu delas? Qual o seu sentido? São perguntas que uns todos os dias tentam responder, enquanto outros têm medo de enfrentá-las.
2.
Mas há momentos em que, tal qual aqueles homens e mulheres, somos desafiados pela luz. Quando tudo fica muito claro e é possível ver. O 'que temos feito desses momentos? Muitos fecham os olhos, já não querem mais enxergar nem a sombra daquilo que poderiam ser. Outros brincam com a projeção da luz sobre o seu corpo. Muitos esperam esse momento para olhar para os outros. A maioria para apontar defeitos e falar da vida alheia. Poucos para ajudar e estender a mão. E tão poucos quanto os últimos, há alguns que olham para si mesmos e tentam se orientar pela luz.
3.
Seja como for, o brilho intenso da luz incomoda a todos, apesar de provocar reações diferentes em cada um. Por isso quando ela se esvai é melhor dormir para voltar a fazer amanhã o mesmo que fazemos hoje, ou para sonhar com aquilo que poderíamos ser, mas que nunca seremos enquanto habitarmos em cavernas!
4. Qual é a sua caverna? Onde você se esconde daquilo que não quer ver?
Na sua profissão e no status daquilo que ela representa para o mundo? Em casa, nos afazeres domésticos? Na faculdade, no cursinho, na escola? Aqui, nas quatro paredes deste templo? Na religião? Ou em todos esses lugares?
5.
No mito de Platão alguém, um dia, saiu dessa caverna e voltou para contar a novidade da vida lá fora. Todos acharam que ele estava louco. Na história da humanidade o Filho de Deus se fez carne e habitou entre nós para nos falar de uma outra possibilidade para o existir, que vai muito além de nossas cavernas...
Ele nos disse em Mt 5-7 que devemos amar aos nossos inimigos, dar a outra face, orar pelos que nos perseguem, evitar julgamentos precipitados, ajuntar tesouros no céu, entrar pela porta estreita, construir sobre a rocha, ajudar aos necessitados e pregar o verdade do evangelho a toda criatura sem considerar as nossas vidas preciosas a nós mesmos. E mais que aquele que quiser ser o maior deve ser o servo de todos!
Ele nos ensinou a ter fome e sede de justiça, a sermos misericordiosos, limpos de coração, pacificadores, sal da terra e luz do mundo. Ele nos instou a guardar os nosso lábios, as nossas mente e os nossos corações. A nos arrependermos de nossos delitos e transgressões, a orarmos e a perdoarmos a quem nos tem ofendido. Ele nos Amou e nós o crucificamos! Porque preferimos o conforto de nossas cavernas.
Ele quis tomar sobre si os nossos fardos, aliviar nossas cargas. Mas elas dão sentido ao nosso jeito miserável e desumano de ser. Ele quis nos falar que as preocupações da vida não nos definem, que nós não devemos andar ansiosos por nada nem pelo que havemos de comer, beber ou vestir. COMO SOMBRAS DE NÓS MESMOS. Que nós somos mais importantes do que as nossas roupas possam aparentar. Que a nossa vida é mais importante do que o requinte do alimento que ingerimos ou das panelas que o preparam. Ele teve a sabedoria de nos mandar aprender com as aves do céu e com lírios do campo que não estão preocupadas com essas coisas e mesmo assim Deus a eles prove. Ele disse que por mais ansiosos que estejamos não podemos acrescentar um dia às nossas vidas. Basta a cada dia o seu próprio mal. O dia de amanhã cuidará de si mesmo. Preocupem-se em sair das cavernas, em enxergar as coisas como elas realmente são. Em buscar em primeiro lugar as coisas e os padrões do Reino de Deus. Em abrir os olhos espirituais. A confiar na providência do Senhor. Em anunciar essa mesma mensagem que cura, restaura, liberta e salva àqueles que, ainda perdidos, habitam nos guetos, nas ruas, debaixo das marquises, no SCS, na Rodoviária, nas invasões, no lixão, no Conic, no nosso prédio, na nossa casa, nas cavernas. Preocupem-se em ser sal da terra e luz do mundo.
6.
O que faremos agora? Vamos dormir para esquecermos mais rápido o que ouvimos ou vamos nos contentar em sonhar que essas coisas poderiam ser realidade em nossas vidas? Tomara que nenhuma nem outra!

Jesus disse: vós sois o sal da terra...
Nós fomos criados para ser o SABOR desse mundo, mas como já não salgamos nada temos sido pisados e humilhados pelos homens. Nós éramos a luz deste mundo, cabia a nós distinguir o certo do errado, o bem do mal, mas ela já não ilumina nem o suficiente para nós mesmos!
Nós fomos atraídos e aprisionados em cavernas, porque as rochas nos transmitem uma falsa sensação de segurança, de controle. Nós somos atraídos e aprisionados em cavernas dos mais variados tipos na tentativa de recolocarmos as rédeas de nossas vidas em nossoas próprias mãos e, já quase não percebemos que é isso mesmo o que nos aprisiona e escraviza. Essa tentativa de estabilidade.
Se a sua segurança não estiver em Deus ela não é segurança alguma, é isso o que Jesus está nos ensinando nesse sermão. Se elE não for a nossa rocha, o nosso refúgio, não há para onde correr! ElE quer nos libertar de nossas cavernas, mas para habitarmos fora delas elE tem que ser TUDO para nós!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Entre você e o milagre


Hoje eu quero falar sobre duas coisas que podem estar entre vc e os seus sonhos em 2013.



Texto base: Mt 9, 1-8.

Como eu vou precisar me referir a esse paralítico muitas vezes durante a nossa reflexão, para não me tornar excessivamente repetitivo, acho que podemos dar a ele um nome, que tal João, se bem que poderia ser Evandro, ou talvez o seu nome, mas... João.

Muito bem, naquele tempo, como todos sabem, não havia, se quer cadeira de rodas. Digo isso, para lembrar que liberdade de locomoção era um conceito incogniscível a João, bem como as idéias de inclusão social e acessibilidade. Todo deslocamento dele exigia boa vontade de outras pessoas, e como é difícil contar com o favor alheio.

Não sei dizer se João era paralítico de nascença ou se o ficara em algum momento de sua vida, mas o texto deixa transparecer que sua paralisia não era tão somente física, parece que toda a sua vida tinha parado com aquela deficiência.

E como que julgá-lo?

Possivelmente durante a sua existência ele sofreu todo tipo de bullying e preconceito. Como se já não fossem grandes e complexos suficientemente seus próprios conflitos, seus questionamentos sobre Deus? Não é de se estranhar que aquele homem chegue até Jesus desacreditado, exausto. Por muito menos nós nos revoltamos, contra Deus, deixamos de orar, ler a Bíblia e vir a igreja.

Por isso as palavras de Jesus: E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo (...) Mateus 9:2

Era essa a parte que lhe cabia, ter bom ânimo, manter viva a esperança. Não deixar a “peteca cair”. [E, se pensarmos bem, essa é a única coisa que Deus exige de nós também diante dos problemas, bom ânimo. “No mundo tereis aflições mas tende bom ânimo eu venci o mundo”. Jo 16,33. Ele não pede que resolvamos os nossos problemas, ou que finjamos que eles nao existem, ele pede bom ânimo, disposição. Ele venceu o mundo, a nossa força e confiança devem estar nele!]

(...) perdoados te são os teus pecados. Mateus 9:2
E, entrando no barco, passou para o outro lado, e chegou à sua cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico, deitado numa cama. Mateus 9:1

Além disso, aquele homem tinha um problema espiritual. O texto nao fala explicitamente sobre ele, mas nos dá dicas quando informa que João fora levado até Jesus por seus amigos e que Jesus, ao ver a fé que eles tinham, isto é, a fé dos seus amigos, volta suas atenções ao paralítico. Percebe, aquele homem, não pede para ser levado até Jesus, ele já não acreditava mais, havia se acomodado a sua situação, ao seu estilo de vida. Por isso quando chega até Jesus ele não enxerga o Cristo, o Filho de Deus! A solução dos seus problemas estava diante dos seu olhos, mas ele nao era mais capaz de crer! O problema espiritual daquele homem era a incredulidade.

Por isso a segunda palavra de Jesus: “filho os seus pecados estão perdoados”. Difícil dizer  o que João sentiu ao ouvir essas palavras. Creio que era como se Jesus dissesse: eu não te julgo filho, como todos fizeram até hj, eu te perdôo. Eu conheço a sua dor. Essas palavras de Jesus àquele homem o desconsertaram. Anos e anos de sofrimento, os mais fortificados muros que a sua dor o obrigou a construir ruíram imediatamente, despedaçaram-se ao se depararem com o amor de Jesus.

Naquele momento João foi curado. De fato ele ainda estava imóvel. Mas por dentro ele já andava. Ele voltou a sonhar, fazer planos, ter perspectivas.

[Meus irmãos eu me identifico muito com João. Com alguma frequencia, diante dos problemas, a primeira coisa que perdemos é o ânimo. Afinal, como mantê-lo se no decorrer de dias, semanas, meses e, às vezes, anos o sofrimento persiste? Como insistir em crer, em ter esperança em Deus, se parece que ele está alheio à minha situação. Perdemos a vontade de orar, de ler a Bíblia, de vir a igreja e quando aqui chegamos, quase que carregados, como João, já não percebemos que estamos na presença desse mesmo Jesus que fez o paralítico andar.  A nossa alegria se esvaiu, a nossa fé se esfriou, e sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11,6).]

E, nesse sentido, as palavras de Jesus a João são para nós também. Filho tenha bom ânimo, eu não te julgo, eu te perdôo, eu conheço a sua dor, conheça agora a minha graça!

E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Ele blasfema.
Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações?
Mateus 9:3-4

Não se surpreenda com a quantidade de fariseus em nossos dias, não são poucos aqueles que surgem tentando desacreditar nossa fé, envenenar nossa mente. Sem saber de nada, absolutamente nada do que, de fato, aconteceu, o que  aquele homem estava sentindo eles ironizam as palavras de Jesus. É o que provavelmente vai acontecer conosco quando sairmos daqui.

Mas a história daquele homem não termina aqui: Que é mais fácil dizer: ‘Os seus pecados estão perdoados’, ou: ‘Levante- se e ande’? vs 6, 7.
(...)
Compreende, aquele paralítico poderia muito bem ter o meu ou o seu nome. A história de vida dele é muito parecida com as nossas, seus sonhos, questionamentos, incertezas, dor e sofrimento não nos são estranhos. E é Jesus quem dirige a nós também, nessa manhã, uma palavra de ânimo. Creia! Persista! Essa é a única coisa que Deus espera de nós.

A cura espiritual é condição de possibilidade para a materialização do milagre em nossas vidas. A incredulidade nos afasta dos projetos de Deus para nós. Para vivermos os sonhos de Deus precisamos ser curados do ceticismo.

Pela fé eu te digo meu irmão: levante, (pegue a sua cama) e ande, para a Glória de Deus! E o mundo glorificará o Senhor, pelo poder que há no nome de Jesus.
E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens.
Mateus 9:8