sábado, 12 de janeiro de 2013

Entre você e o milagre


Hoje eu quero falar sobre duas coisas que podem estar entre vc e os seus sonhos em 2013.



Texto base: Mt 9, 1-8.

Como eu vou precisar me referir a esse paralítico muitas vezes durante a nossa reflexão, para não me tornar excessivamente repetitivo, acho que podemos dar a ele um nome, que tal João, se bem que poderia ser Evandro, ou talvez o seu nome, mas... João.

Muito bem, naquele tempo, como todos sabem, não havia, se quer cadeira de rodas. Digo isso, para lembrar que liberdade de locomoção era um conceito incogniscível a João, bem como as idéias de inclusão social e acessibilidade. Todo deslocamento dele exigia boa vontade de outras pessoas, e como é difícil contar com o favor alheio.

Não sei dizer se João era paralítico de nascença ou se o ficara em algum momento de sua vida, mas o texto deixa transparecer que sua paralisia não era tão somente física, parece que toda a sua vida tinha parado com aquela deficiência.

E como que julgá-lo?

Possivelmente durante a sua existência ele sofreu todo tipo de bullying e preconceito. Como se já não fossem grandes e complexos suficientemente seus próprios conflitos, seus questionamentos sobre Deus? Não é de se estranhar que aquele homem chegue até Jesus desacreditado, exausto. Por muito menos nós nos revoltamos, contra Deus, deixamos de orar, ler a Bíblia e vir a igreja.

Por isso as palavras de Jesus: E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo (...) Mateus 9:2

Era essa a parte que lhe cabia, ter bom ânimo, manter viva a esperança. Não deixar a “peteca cair”. [E, se pensarmos bem, essa é a única coisa que Deus exige de nós também diante dos problemas, bom ânimo. “No mundo tereis aflições mas tende bom ânimo eu venci o mundo”. Jo 16,33. Ele não pede que resolvamos os nossos problemas, ou que finjamos que eles nao existem, ele pede bom ânimo, disposição. Ele venceu o mundo, a nossa força e confiança devem estar nele!]

(...) perdoados te são os teus pecados. Mateus 9:2
E, entrando no barco, passou para o outro lado, e chegou à sua cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico, deitado numa cama. Mateus 9:1

Além disso, aquele homem tinha um problema espiritual. O texto nao fala explicitamente sobre ele, mas nos dá dicas quando informa que João fora levado até Jesus por seus amigos e que Jesus, ao ver a fé que eles tinham, isto é, a fé dos seus amigos, volta suas atenções ao paralítico. Percebe, aquele homem, não pede para ser levado até Jesus, ele já não acreditava mais, havia se acomodado a sua situação, ao seu estilo de vida. Por isso quando chega até Jesus ele não enxerga o Cristo, o Filho de Deus! A solução dos seus problemas estava diante dos seu olhos, mas ele nao era mais capaz de crer! O problema espiritual daquele homem era a incredulidade.

Por isso a segunda palavra de Jesus: “filho os seus pecados estão perdoados”. Difícil dizer  o que João sentiu ao ouvir essas palavras. Creio que era como se Jesus dissesse: eu não te julgo filho, como todos fizeram até hj, eu te perdôo. Eu conheço a sua dor. Essas palavras de Jesus àquele homem o desconsertaram. Anos e anos de sofrimento, os mais fortificados muros que a sua dor o obrigou a construir ruíram imediatamente, despedaçaram-se ao se depararem com o amor de Jesus.

Naquele momento João foi curado. De fato ele ainda estava imóvel. Mas por dentro ele já andava. Ele voltou a sonhar, fazer planos, ter perspectivas.

[Meus irmãos eu me identifico muito com João. Com alguma frequencia, diante dos problemas, a primeira coisa que perdemos é o ânimo. Afinal, como mantê-lo se no decorrer de dias, semanas, meses e, às vezes, anos o sofrimento persiste? Como insistir em crer, em ter esperança em Deus, se parece que ele está alheio à minha situação. Perdemos a vontade de orar, de ler a Bíblia, de vir a igreja e quando aqui chegamos, quase que carregados, como João, já não percebemos que estamos na presença desse mesmo Jesus que fez o paralítico andar.  A nossa alegria se esvaiu, a nossa fé se esfriou, e sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11,6).]

E, nesse sentido, as palavras de Jesus a João são para nós também. Filho tenha bom ânimo, eu não te julgo, eu te perdôo, eu conheço a sua dor, conheça agora a minha graça!

E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Ele blasfema.
Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações?
Mateus 9:3-4

Não se surpreenda com a quantidade de fariseus em nossos dias, não são poucos aqueles que surgem tentando desacreditar nossa fé, envenenar nossa mente. Sem saber de nada, absolutamente nada do que, de fato, aconteceu, o que  aquele homem estava sentindo eles ironizam as palavras de Jesus. É o que provavelmente vai acontecer conosco quando sairmos daqui.

Mas a história daquele homem não termina aqui: Que é mais fácil dizer: ‘Os seus pecados estão perdoados’, ou: ‘Levante- se e ande’? vs 6, 7.
(...)
Compreende, aquele paralítico poderia muito bem ter o meu ou o seu nome. A história de vida dele é muito parecida com as nossas, seus sonhos, questionamentos, incertezas, dor e sofrimento não nos são estranhos. E é Jesus quem dirige a nós também, nessa manhã, uma palavra de ânimo. Creia! Persista! Essa é a única coisa que Deus espera de nós.

A cura espiritual é condição de possibilidade para a materialização do milagre em nossas vidas. A incredulidade nos afasta dos projetos de Deus para nós. Para vivermos os sonhos de Deus precisamos ser curados do ceticismo.

Pela fé eu te digo meu irmão: levante, (pegue a sua cama) e ande, para a Glória de Deus! E o mundo glorificará o Senhor, pelo poder que há no nome de Jesus.
E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens.
Mateus 9:8

domingo, 29 de julho de 2012

A quem interessar possa!


Aos cristãos, judeus, mulçumanos, espíritas, budistas, filósofos, moralistas, feministas, homossexuais, cientistas, humanistas a todos aqueles que se dedicam ao combate de alguma forma de preconceito, àqueles que lutam por algo maior do que si mesmos é chegada a hora de,  sem esquecer o nosso lugar, esquecer nossas diferenças e nos unirmos em prol do ser humano. Enquanto lutamos pelo nosso gueto, as praças e as ruas estão cheias de pessoas que não são negras, nem brancas, homens, nem mulheres, adultos, idosos, crianças, cristãos, ou ateus. Gente marginalizada, machucada, com sede, com frio, com fome, opressa pela nossa indiferença, humilhados pelo nosso descaso, esquecidos na vastidão e grandiosidade dos nossos problemas. Que roupa vestir, que sapato usar, o que comer, em que escola particular meu filho vai estudar, como ganhar mais, morar melhor, me destacar, como ser mais feliz? Como ser mais feliz... se já vivo para mim mesmo, quando muito milito pelos meus? Para fazer mais adeptos. Minha generosidade antes de ser pelo ser humano é pela minha bandeira, por mim mesmo e, dessa forma, voltamos ao hedonismo de minhas preocupações originais. Percebe?! Viver perseguindo a própria felicidade, não traz felicidade alguma, caso contrário, como ainda não a alcançamos? Só fazemos isso o dia inteiro, todos os dias. Coloquemos nossas bandeiras a meio mastro, há uma maior a hastear ela diz respeito a todos nós, antes de sermos cultura, somos gente e só progrediremos enquanto raça quando a nossa identidade ontológica for maior do que nós mesmos.