Estou as
vesperas de completar 30 anos, de existência, não de consciência de consciência
são ainda bem menos os meus anos. Na flor da idade percebo facilmente no meu
corpo as transformações do tempo. Pra alguém que nunca foi forte, estou um
pouco melhor, mas sinto que demoro muito a amadurecer. Penso, quase a todo
momento, como um menino, que só quer correr, brincar e se divertir. Ter um
carrinho mais bonito do que seu coleguinha, uma casinha mais legal e uma
namorada mais bonita. Penso em ser alguém importante, em fazer grandes coisas,
em deixar meu nome gravado na história, exatamente como meus pais um dia me
disseram que se eu quisesse poderia ser até presidente. Alguns poucos momentos
me trazem a realidade, por exemplo, quando chegam as contas no início e no
final do mês, quando a minha rotina de 8 a 12h de trabalho por dia,
naturalmente, me cansa etc., mas nada tão arrebatador quanto choque de
realidade que a dor e o sofrimento causam. Não me entenda mal, com essa idade
tenho pouquíssimos problemas de saúde, pra não dizer nenhum, portanto não falo
da minha dor, do meu sofrimento. Falo de sofrimentos piores ou mesmo maiores do
que os meus próprios, falo do sofrimento daqueles a quem amo. Só eles são
capazes de me abduzir dos meus sonhos e tão abruptamente me transportarem para
a realidade. Minha impotência se torna desesperadora. Minha fé... Nesses
momentos as casinhas e os carrinhos mais bonitos dos meus sonhos não tem
nenhuma graça ou importância, as roupas novas, as coisas legais que juntei, são
lixo, ou são nada. O sofrimento daqueles a quem amo são maiores que as minhas
vaidades, são maiores do que eu. Percebo que por trás de cada pessoa com a qual
tão roboticamente me relaciono há uma teia de histórias, de relacionamentos, de
sentimentos. Percebo que enquanto eu dormia a vida acontecia. Quero acordar.
quarta-feira, 16 de março de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A cura do cego de Betsaida
A cura do cego de Betsaida, a mim, particularmente, chama a atenção por ser um milagre feito a prestação, isto é, em 2x. Primeiro Jesus cospe nos olhos do cego, coloca as mãos sobre eles e pergunta o que ele vê. O cego responde, tipo assim: Senhor estou vendo homens, mas eles parecem árvores. Então Jesus coloca novamente as mãos sobre os olhos dele e ele passa a enxergar claramente. Nenhum outro milagre de Jesus é feito dessa forma, ao que me pergunto pelas razões que motivaram o Mestre agir de tal maneira. Debruçando-me então sobre esse texto de 7 linhas em busca de algumas respostas, detalhes me chamam a atenção.
1. O cego não vai até Jesus, ele é levado até o Senhor. Talvez alguém questione dizendo: claro, como poderia ir o cego até Jesus? Afinal ele não podia ver, ele não enxergava. Este se esquece de um outro cego a quem Jesus também curou, o cego Bartimeu, que vislumbrando a possibilidade do milagre gritou: “Jesus, filho de Davi tem misericórdia de mim”. Por isso, voltando ao fato de que o cego de Betsaida é levado até Jesus, quando Bartimeu grita pelo Mestre, concluo que parte da doença das pessoas está na incapacidade de se enxergarem como tal, ou seja, como doentes e, a partir daí, procurarem ajuda. Principalmente quando as doenças (ou as deficiências para ser mais fiel ao caso em apreço) não são, a princípio, fisicamente, aparentes, como a cegueira, mas são males da mente, causados por distúrbios psíquicos ou hormonais, ou os dois juntos. O que dizer da cegueira das pessoas no que diz respeito aos males da alma? Àqueles gritos mudos que nos questionam sobre o sentido da vida, sobre a morte, sobre o Criador de todas as coisas?! É possível que muitos que dizem que podem ver, estejam, na verdade, cegos para a dimensão psíquica e espiritual do sofrimento, precisando que lhes tomemos pelas mãos e os conduzamos ao Salvador, como fizeram os personagens deste texto.
2. Jesus pegando-o pela mão o conduziu para fora do povoado. Ele não tratou daquele homem na frente das pessoas que o levaram até ele. Deus não nos expõe, ele trata dos nossos problemas particularmente, ele nos preserva, porque ele nos ama. Inspirem-se nesse exemplo, vocês lidarão com a intimidade das pessoas. O sigilo profissional deve ser guardado. São seres humanos com sentimentos, limitações e problemas, assim como eu e vocês.
3. Jesus perguntou ao cego: estás vendo alguma coisa? O que pode nos fazer questionar o seguinte: ué, será que Jesus não sabia ou não tinha consciência do que fazia? Pelo contrário, Jesus nos ensina sobre humildade, sobre ouvir as pessoas. Vocês como profissionais da saúde não devem fazer apenas aquilo que reza a cartilha de atendimento e, com o tempo, se tornar insensíveis a dor ou ao sofrimento de seus pacientes. Interessem-se por cada caso, tratem cada um de per si, vocês devem ir além e utilizar o conhecimento que adquiriram na faculdade como dom dado por Deus para a transformação e a cura de pessoas e não apenas como profissão.
4. Foi por ouvir o cego que Jesus não lhe deu ‘alta’, mas percebeu que ele ainda não estava curado. Já pensou se Jesus despedisse o homem vendo pessoas como árvores?! Seria mais um lidando com gente, como algo vivo, porém estático, incapaz de ver que apesar da fortaleza aparente da madeira havia uma alma e uma mente que precisavam de cuidados. Que as intempéries da vida não atingem apenas as nossas cascas, mas os nossos corações. Que as folhas não caem apenas no outono, mas que elas podem cair pelo sofrimento e pela dor. E que a beleza de seus frutos não depende exclusivamente da terra e da água, mas do toque de Deus em nossos espíritos. Sejam instrumentos de Deus para tocar e transformar vidas.
Assinar:
Postagens (Atom)